Ele perdeu... (parte I)
Páris não acreditou, mas não mesmo. O amor de sua vida escapuliu de seus dedos. Nem isso, já que não pôde tocá-la, não do jeito que queria.
Páris, rapaz aparentemente simpático, inofensivo. Carrega nos seus 27 anos um despertecimento, como outros, não sabe a origem de sua angústia. Trabalha muito, ganha pouco, o que garante sua próxima página, mal escrita, ultimamente.
Páris mora só, num estúdio no velho centro paulista, rodeado de sebos, sua religião. Come mal, dorme pouco, fuma muito. Páris segue uma rotina totalmente nauseante, mais sistemática impossível. Acorda cedo, come seu pão, e sai com sua mochila. Vai para a estação Santa Cecília, pontual, sempre olhando pra baixo, só quando avista uma rua, desvia o olhar.
No metrô, Páris tira seu livro e se distrai, enquanto mundos de infinitas pessoas o rodeiam. Mas um mundo, em particular, chamaria sua atenção. Não agora, daqui a pouco. Páris anda resfriado mas não quer se cuidar. A próxima estação é anunciada pelo locutor, as portas se abrem. Uma pequena entra despercebida como outras, mas não para Páris. Ele ainda não a viu, mas estranhamente sente uma coceira que começa na nuca e invade suas costas, a blusa de algodão só atrapalha, e Páris se vê na obrigação de levantar a cabeça. Seus olhos fixam na pequena. Doía de tanto que ardia, de sono e de deslumbre.

2 Comments:
Muito bacana mesmo. Vou acompanhar, mané.
"Páris"? isso eh nome de homem?
by the way, o conto é maravilhoso!
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